domingo, 15 de julho de 2012

Sobre Roupas e Amores

Se o velho já não me cabe, só me resta arranjar um novo. Se nada servir, fico com o que melhor cair. Aperto aqui, afrouxo acolá, recorto, costuro, transmuto. Mas se, a etiqueta insistir em incomodar, arranco tudo e fico nua. Pego de volta o velho e organizo a nova bagunça. Ou nem pego nada e deixo tudo como ficou – permaneço nua, enquanto meu calor me bastar.

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quinta-feira, 26 de abril de 2012

No ônibus


     Hoje eu tive a felicidade de conhecer uma pessoa muito especial. Fazer um novo amigo é o tipo de tarefa que bate a meta do dia. Ele se chama Antônio e seu apelido é Tunico. Nós nos sentamos um ao lado do outro no ônibus, vindo para Bela Vista.

     Meu novo amigo tem os cabelos claros, olhos profundos, uma fala mansa, sorriso singelo. Mesmo com uma única conversa, pude notar que trata-se de um humano íntegro, com qualidades belíssimas. É o tipo de homem que arrasa corações.
     O modo de perceber as pessoas, as coisas e os eventos, crenças espirituais, valores (...), o que se refere ao psíquico nós nos entendemos bem. Tunico e eu possuímos até um defeito em comum, acreditamos estarmos velhos e incorporamos isto constantemente em nossa fala. A única diferença é que eu tenho 21 anos, e ele, 80.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

(pessoal)idade

Véspera do meu aniversário e já presenteada.

Ganhei a pouco do meu pai um presente sem embrulho, sem fita e sem cartão, o presente mais simples e caro que tive a felicidade de receber. Nem as barbies, nem os videogames e jogos, nem os bichos de pelúcia de tamanho colossal, nem as máquinas de fazer coisas, nada, nada nesses singelos 20 aniversários superaram a véspera do vigésimo primeiro.
Meu pai, minha versão masculinizada, de tão semelhante comemora seus 47 anos no dia seguinte ao meu aniversário. A alguns minutos atrás, respirei fundo meus vários anos de  espera e desejo e fui falar com ele. Foi usando da nossa igualdade que tentei, num discurso, fundamentar nossas diferenças, minhas particularidades.
Preferi não criar um texto, premeditar a conversa. Entendi que para alcançar meus propósitos eu teria de ser a mais honesta e sincera possível, e assim foi. Uma explosão de emoções em menos de dois minutos. O desenrolar da conversa foi agravado por minha falta de objetividade e pela impaciência do meu pai. Entretanto, no desfecho dessa odisseia é que ganhei do meu velho o tão mencionado presente, a sua compreensão!

domingo, 11 de dezembro de 2011

Magno Malta (PR-ES), senador da bancada evangélica, sobre o PLC 122.

Magno Malta (PR-ES), senador da bancada evangélica, sobre o PLC 122.

   No vídeo à cima, o senador da bancada evangélica, *Magno Malta(PR-ES), justifica seu posicionamento contra a aprovação do PLC 122, dizendo que “não são pessoas requerendo seus direitos”, mas sim “criminalizando quem não pensa como eles”. Parecem ser desconhecidas pelo senador, todas as medidas legislativas que visam um público específico em detrimento de suas necessidades (por exemplo, a lei Maria da Penha e o Estatuto do Idoso). Dada a intensidade de certas modalidades de discriminação, fazem-se necessárias medidas protetivas objetivamente direcionadas. O PLC 122 trata de direito – e não da soberania de uma opinião – justamente por pretender a igualdade. “Neste contexto, a opção pelo tratamento da homofobia de modo apartado à lei geral antidiscriminatória não é mera opção legislativa, mas aponta para uma desvalorização da proteção jurídica quando o assunto é homofobia” (**Roger Raupp Rios).
    A visibilidade e legitimação da lésbica, do gay, do(a) travesti, do(a) transexual, do(a) bissexual e do(a) trangênero, como também a equidade entre os sexos, desestabilizam noções tão antigas quanto a diversidade sexual e a desigualdade de gênero. É falado no vídeo sobre a criação de “um império homossexual no Brasil”. Reconhecer a diversidade sexual não é incentivar uma ou outra forma de expressão, é apenas dar lugar a pluralidade que, legitimada ou não, existe!


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Piada:

Magno Malta disse ao PLC 122: Foi criminalizando ao ponto de os religiosos, sejam mulçumanos, sejam cristãos, não poder nem ler a bíblia, não falar na questão homossexual.

PLC 122, art. 3º, respondeu: O disposto nesta Lei não se aplica à manifestação pacífica de pensamento decorrente da fé e da moral fundada na liberdade de consciência, de crença e de religião de que trata o inciso VI do art. 5º da Constituição Federal.

...                                     

Pérolas:

Magno Malta: “PL 122 é um coisa podre pra nós.”

Magno Malta sobre os direitos civis: “Estão confundindo raça com comportamento. Homossexualismo é comportamento, raça é uma outra coisa.”

Magno Malta dando dicas empresariais: “Você pode demitir um portador de deficiência que você não vai preso.”

Magno Malta: “Negro não pediu pra ser negro”.

Magno Malta: “País laico.”

Magno Malta sobre um “projeto de lei”: só fazem prisão, prisão, prisão, o tempo inteiro.”

Magno Malta: "Tem o direito de escolher ser homossexual, é problema de cada um.”

Magno Malta: “O que nós não podemos é criar um império homossexual no Brasil, onde uma casta, um grupinho pode tudo, e a sociedade, a família e a sociedade civil não pode nada."


Realmente senhor senador,
a “família” e a “sociedade civil” não podem nada.

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* Magno Malta; Formado em Teologia, Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, Recife – PE (1977/1981).
** Roger Raupp Rios; Possui graduação em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1993), mestrado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2000) e doutorado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2004). Atualmente é conselheiro - International Council of Human Rights Policy, Juiz federal - Justiça Federal - Seção Judiciária e professor do Centro Universitário Ritter dos Reis. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direito Público, atuando principalmente nos seguintes temas:direitos humanos, direitos fundamentais, direito da antidiscriminação, direitos sexuais e direito à saúde.

Culpa? E precisa de mais culpa?


Quarta, 10 de Agosto de 2011 às 22:04:
  Alguém concorda que: Se uma criança é violentada por um familiar próximo (por exemplo, o avô) a culpa é da mãe, por ter confiado na pessoa errada. E, se uma mulher é estuprada esta também tem culpa, pois suas roupas curtas a levaram a esta fatalidade.Se você crê que estas afirmações são verdades incontestáveis, então você possui a mesma opinião que meu professor que é psicólogo, com grau de mestre e um doutorado em andamento. A “boa notícia” é que estas afirmações foram baseadas em “teorias asseguradas pela psicologia”, que, antes de mais nada, possui seu grau de “ciência”. Já a péssima notícia é que, assim como eu, várias pessoas provavelmente já ouviram deste professor estes disparates. Mas, ao contrário de mim, provavelmente muitas delas irão concordar, disseminar e utilizar estas afirmações em sua prática profissional. E você, meu(minha) caro(a), se tiver a mesma opinião que a minha e esbarrar por estes(as) psicólogos(as) ao longo da vida, atravesse a rua!


Deuses contemporâneos

 Segunda, 13 de Junho de 2011 às 21:33:

  Não me lembro se foi sexta ou sábado, mas num destes dias da semana que se passou, fui à cozinha tomar café da manhã - que de café leva apenas o nome. Lá estava eu, sentadinha com meu copo de 500ml cheio de refrigerante, quando ouço um total disparate. O rádio estava ligado (obra da minha mãe), e naquele momento havia começado um quadro na radio Terra, onde o locutor fazia perguntas a um médico convidado.
  O disparate que me causou desconforto veio de uma das respostas dada pelo 
doutor, sobre ejaculação precoce. A pergunta era mais ou menos assim: "Doutor, qual procedimento deve ser adotado pelo nosso ouvinte, caso ele se depare com o problema da ejaculação precoce? A quem ele deve procurar primeiramente?" E então, a resposta: "Bom, primeiramente o ouvinte deve procurar um médico...”
  Não me lembro com exatidão o restante da fala, mas eram recomendações para que os homens fizessem exames e se consultassem periodicamente, e um alerta para a possível relação entre ejaculação precoce e doenças de outras naturezas. O médico finaliza: “Diante da persistência do problema, em alguns casos, recomenda-se que o paciente procure um psicólogo”. O locutor prossegue fazendo-lhe uma outra pergunta: "Doutor, qual é a principal causa da ejaculação precoce?" E então, a dissonância: “As principais causas da ejaculação precoce são de fundo emocional, a principal delas é a ansiedade...” !


Psicólogo(a) pra quê?!

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Invisibilidade

Sábado, 7 de Maio de 2011 às 22:19:


  Assistindo ao jornal ontem à noite, com a intenção de conhecer como a notícia da união estável entre casais homossexuais – ou homoafetivos – iria ser transmitida, pude presenciar a não presença da homossexualidade feminina. Na seqüência, numa reportagem sobre consumo e o público gay, as mulheres pela primeira vez perderam o lugar de “consumistas” para os homens. Se bom ou ruim este não é o caso, me preocupa a invisibilidade das mulheres. Em alguns minutos ao ar, a notícia de que a homossexualidade também é coisa dos homens foi reforçada em milhões de casas brasileiras. "Pobres de nós", lésbicas, que não temos espaço nem para comemorar, nem para lamentar. Quanta apatia!