quinta-feira, 26 de abril de 2012

No ônibus


     Hoje eu tive a felicidade de conhecer uma pessoa muito especial. Fazer um novo amigo é o tipo de tarefa que bate a meta do dia. Ele se chama Antônio e seu apelido é Tunico. Nós nos sentamos um ao lado do outro no ônibus, vindo para Bela Vista.

     Meu novo amigo tem os cabelos claros, olhos profundos, uma fala mansa, sorriso singelo. Mesmo com uma única conversa, pude notar que trata-se de um humano íntegro, com qualidades belíssimas. É o tipo de homem que arrasa corações.
     O modo de perceber as pessoas, as coisas e os eventos, crenças espirituais, valores (...), o que se refere ao psíquico nós nos entendemos bem. Tunico e eu possuímos até um defeito em comum, acreditamos estarmos velhos e incorporamos isto constantemente em nossa fala. A única diferença é que eu tenho 21 anos, e ele, 80.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

(pessoal)idade

Véspera do meu aniversário e já presenteada.

Ganhei a pouco do meu pai um presente sem embrulho, sem fita e sem cartão, o presente mais simples e caro que tive a felicidade de receber. Nem as barbies, nem os videogames e jogos, nem os bichos de pelúcia de tamanho colossal, nem as máquinas de fazer coisas, nada, nada nesses singelos 20 aniversários superaram a véspera do vigésimo primeiro.
Meu pai, minha versão masculinizada, de tão semelhante comemora seus 47 anos no dia seguinte ao meu aniversário. A alguns minutos atrás, respirei fundo meus vários anos de  espera e desejo e fui falar com ele. Foi usando da nossa igualdade que tentei, num discurso, fundamentar nossas diferenças, minhas particularidades.
Preferi não criar um texto, premeditar a conversa. Entendi que para alcançar meus propósitos eu teria de ser a mais honesta e sincera possível, e assim foi. Uma explosão de emoções em menos de dois minutos. O desenrolar da conversa foi agravado por minha falta de objetividade e pela impaciência do meu pai. Entretanto, no desfecho dessa odisseia é que ganhei do meu velho o tão mencionado presente, a sua compreensão!